Arapongas prepara transição para trabalhadores informais do aterro sanitário

Com o encerramento das atividades do aterro sanitário previsto para novembro, a Prefeitura de Arapongas reúne catadores e representantes de órgãos municipais para definir medidas de integração socioeconômica. O plano inclui formação profissional, criação de cooperativas e encaminhamento ao mercado formal de trabalho.

A Prefeitura de Arapongas, por meio da Secretaria Municipal de Agricultura, Serviços Públicos e Meio Ambiente (Seaspma), realizou uma reunião para tratar da situação dos trabalhadores informais que atuam no aterro sanitário municipal, cuja desativação é iminente. O encontro, ocorrido na Câmara Municipal nesta quarta-feira, 8, teve como objetivo organizar um plano de transição que assegure a integração socioeconômica desses profissionais e evite um processo desordenado que agrave sua vulnerabilidade social.

De acordo com a secretária da pasta, Sandra Corrêa, “o objetivo principal foi estabelecer, de forma clara e antecipada, as regras, normas e condições de trabalho para a integração dos catadores, tanto em modelos cooperativos quanto em outras frentes do mercado de trabalho formal. A urgência da pauta é motivada por razões técnicas, legais e humanitárias que tornam a continuidade das operações no aterro insustentável”, comentou.

O encerramento do aterro decorre de múltiplos fatores: esgotamento técnico e operacional, irregularidades apontadas pelo Ministério Público, inadequações legais e ambientais e riscos à saúde pública e à segurança dos trabalhadores. A administração municipal reforçou que a data final para o encerramento das atividades está marcada para 1º de novembro deste ano, o que exige ações rápidas e coordenadas entre os órgãos envolvidos.

Durante a reunião, foram apresentadas alternativas para inserção dos trabalhadores em novos modelos de trabalho. As propostas incluíram a criação de cooperativas, a oferta de vagas de emprego formal e programas de qualificação profissional. A gerente da Agência do Trabalhador de Arapongas, Robeane Eleutério Marchi, destacou o papel do órgão na mediação de oportunidades e apresentou cursos gratuitos desenvolvidos em parceria com o Centro Brasileiro de Cursos (Cebrac). Entre as formações oferecidas estão inglês, rotinas administrativas, inclusão digital, atendente de farmácia e Inteligência Artificial (IA).

Além dos cursos, foi anunciada uma rede de suporte social para acompanhar o processo de recolocação dos trabalhadores. Uma lista com os nomes e contatos dos interessados em integrar as cooperativas será criada imediatamente, e uma nova reunião com lideranças e representantes legais definirá os critérios de distribuição e alocação. A Seaspma, a Agência do Trabalhador e a Secretaria de Assistência Social manterão atendimento contínuo aos participantes da transição.

A Prefeitura ressaltou que a condução do processo tem caráter colaborativo e busca garantir justiça e transparência nas decisões. A gestão reforçou ainda o compromisso de assegurar que nenhum trabalhador fique desamparado, oferecendo meios para uma reintegração digna ao mercado de trabalho formal e à vida comunitária.

O encontro foi considerado um passo fundamental para a reestruturação das atividades de manejo de resíduos no município, marcando o início de uma nova fase ambiental e social para Arapongas. A desativação do aterro sanitário, embora necessária, representa também uma oportunidade de transformação, com foco na sustentabilidade e na inclusão de quem por anos dependeu diretamente desse espaço para sua subsistência.

Fonte: PMA