HONPAR realiza primeiro transplante cardíaco e inicia nova etapa na assistência em Arapongas

Paciente de 49 anos recebeu um novo coração após 77 dias de internação e espera por um órgão compatível. Procedimento foi realizado no dia 7 de agosto pela equipe especializada em transplantes do hospital. Recuperação evolui de forma favorável e alta hospitalar está prevista para 26 de agosto. Operação contou com uma ampla estrutura logística para garantir o transporte do órgão até Arapongas.

O Hospital HONPAR, em Arapongas, realizou o primeiro transplante cardíaco de sua história, marcando uma nova etapa para a instituição e, principalmente, para J.B.M., de 49 anos, morador de Paranavaí. Após permanecer 77 dias internado e aguardando por um coração compatível, o paciente recebeu o novo órgão no dia 7 de agosto. A Prefeitura de Arapongas, por meio do Aeroporto Municipal, prestou suporte técnico necessário para a operação.

De acordo com o HONPAR, o paciente, que é boiadeiro, foi diagnosticado em 2019 com Insuficiência Cardíaca Avançada de etiologia chagásica. Ao longo dos anos, houve agravamento progressivo da condição clínica. Em 2024, diante da evolução da doença, foi necessária a implantação de um Cardioversor Desfibrilador Implantável (CDI), dispositivo utilizado para identificar e tratar arritmias cardíacas graves.

Em 21 de maio de 2026, J.B.M. deu entrada no hospital em estado crítico, com insuficiência cardíaca descompensada. A gravidade do quadro exigiu internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), com acompanhamento contínuo, utilização de medicamentos e suporte especializado para manutenção da condição clínica e da função cardíaca.

A partir daquele momento, teve início um período de 77 dias de internação e espera por um coração compatível com as características físicas e clínicas do paciente, seguindo critérios necessários para a segurança do transplante.

A notícia que mudaria o rumo da história chegou na noite de 6 de agosto, quando foi identificado um coração compatível. O órgão era proveniente de um doador do sexo masculino, do Paraná.

Começou, então, uma operação logística contra o tempo. Enquanto a família do paciente era acionada em Paranavaí, a Organização de Procura de Órgãos de Londrina (OPO Londrina) e a Central Estadual de Transplantes do Paraná coordenaram as ações necessárias para a captação e o transporte do coração. A operação contou com a participação de uma aeronave do Governo do Estado e da Polícia Militar, com o objetivo de garantir que o órgão chegasse ao hospital dentro do período necessário para a realização do procedimento.

Na manhã de 7 de agosto, J.B.M. recebeu o novo coração. O transplante foi realizado pela Comissão de Transplante de Coração e Válvulas do HONPAR, equipe especializada sob a coordenação médica do cirurgião cardiovascular doutor Arnaldo Akio Okino, que atua há mais de duas décadas à frente da equipe de transplantes de coração e válvulas cardíacas da instituição.

Recuperação

Os primeiros dias após o transplante foram de grande complexidade. O paciente permaneceu durante dez dias na UTI, sob acompanhamento intensivo da equipe multiprofissional. Gradualmente, apresentou evolução clínica favorável e, em 17 de agosto, recebeu alta da Unidade de Terapia Intensiva, sendo transferido para a unidade de internação, onde passou a contar ainda mais de perto com a presença dos familiares.

Até 20 de agosto, J.B.M. permanecia hemodinamicamente estável e em recuperação na unidade de internação. Mantida a evolução favorável, a previsão é de que ele possa receber alta hospitalar no dia 26 de agosto.

Para Okino, o procedimento representa o início de uma nova fase, com a expectativa de ampliar as possibilidades para outros pacientes que aguardam uma oportunidade de recomeço. “Este foi o primeiro procedimento, mas agora se abre uma nova etapa. A expectativa é que novos pacientes possam ser beneficiados e que outras histórias tenham a oportunidade de recomeçar. Mas nada disso seria possível sem um gesto fundamental: a doação de órgãos. Por isso, também queremos destacar e agradecer profundamente à família que, mesmo em um momento de tanta dor, tomou a decisão de doar. Esse gesto de generosidade permitiu salvar uma vida e representa esperança para tantos outros pacientes que aguardam por uma nova chance”, ressalta.

Além da realização do procedimento de alta complexidade, o transplante envolveu uma rede formada por profissionais de diferentes áreas, equipes especializadas, instituições e órgãos públicos. A operação exigiu integração entre os envolvidos desde a identificação do órgão compatível até o transporte e a chegada ao hospital.

O resultado também reforça a atuação integrada da Comissão de Transplantes do HONPAR e das demais instituições envolvidas no processo. A realização do transplante contou com o trabalho conjunto dos profissionais do HONPAR, da OPO Londrina, da Central Estadual de Transplantes, da Polícia Militar, da Casa Civil do Governo do Paraná e do Aeroporto Municipal de Arapongas Alberto Bertelli.

Fonte: PMA .