De escolas cívico-militares ao fim do vestibular: o que candidatos propõem para a educação no Paraná

Entre a manutenção dos programas atuais e a promessa de novas estratégias, a educação é um dos pontos centrais discutidos durante o período eleitoral. Nessa área, os candidatos ao governo do Paraná apresentaram propostas distintas para lidar com os desafios da rede estadual.

A Tribuna do Paraná analisou os planos de governo de cada candidatura e resumiu os principais pontos apresentados. A ordem dos candidatos no texto segue o cenário estimulado da pesquisa de intenções de voto para governador divulgada pelo instituto Paraná Pesquisas nesta segunda-feira (17), a primeira após o registro das candidaturas:

Sergio Moro (PL);

Requião Filho (PDT);

Sandro Alex (PSD);

Luiz França (Missão);

Tayná Miessa (UP);

Alexandre Salomão (Mobiliza);

Samuel de Mattos (PSTU);

Adriano Teixeira (PCO).

Propostas de Sergio Moro (PL) para educação
Ampliar o ensino em tempo integral atrelado à Educação Profissional e Tecnológica no Ensino Médio, focado nas vocações econômicas de cada região do estado;

“Restabelecer a disciplina e o respeito em sala de aula” por meio de “medidas que garantam o ambiente propício ao aprendizado de qualidade”;

Criar uma política permanente de valorização docente, com cuidados com a saúde mental, formação continuada, reconhecimento por bons resultados e “melhores condições de trabalho”;

Programa de qualificação em gestão e liderança para diretores e equipes pedagógicas;

Ampliar a “experiência bem-sucedida” das escolas cívico-militares;

Expandir as vagas em creches por meio de parcerias com municípios e fortalecer a alfabetização até o 2º ano do Ensino Fundamental;

Avaliar “de forma abrangente” os impactos e resultados do uso de plataformas educacionais digitais para “eliminar excessos”;

Levar conexão rápida de internet a todas as escolas e ampliar o uso de laboratórios de robótica/IA;

Expandir oportunidades de intercâmbio nacional e internacional para estudantes, professores e gestores por meio de parcerias com instituições e empresas;

Criar o “Programa Talentos do Paraná” para identificar estudantes com altas habilidades e oferecer atendimento especializado, iniciação científica, mentoria e parcerias com universidades e empresas;

Criar um painel público com dados abertos sobre alfabetização, frequência, evasão, estrutura das escolas e uso dos recursos;

Ampliar a Educação à Distância (EAD) nas universidades estaduais;

Fortalecer a política de permanência estudantil nas universidades estaduais com subsídios para alimentação e moradia.

Propostas de Requião Filho (PDT) para educação
Encerrar o programa “Parceiro da Escola” e devolver a administração das escolas estaduais ao poder público, “com transição que preserve aulas, alimentação, limpeza e direitos dos trabalhadores”;

Revisar o modelo de escolas cívico-militares, submetendo-o a avaliação e devolvendo à comunidade escolar a decisão sobre seu projeto pedagógico;

Universalizar até 2030 a alfabetização em leitura, escrita e conhecimentos matemáticos essenciais ao fim do 2º ano do Ensino Fundamental;

Realizar concursos públicos, “fortalecer a carreira docente” e assegurar a eleição periódica de diretores;

Ensinar programação, computação, robótica e uso de IA “de forma crítica”, sem “plataformização” ou substituição de professores;

Garantir alimentação escolar regionalizada, com mais compras da agricultura familiar, e adequada para alergias e doença celíaca;

Recuperar a infraestrutura de salas, cozinhas, banheiros, quadras, bibliotecas, laboratórios e redes elétricas e publicar o andamento das obras por unidade escolar;

“Ampliar” EJA (Educação de Jovens e Adultos), educação do campo, inclusão, transporte, alimentação e apoio ao estudante;

Preservar a autonomia universitária, dar previsibilidade ao financiamento e ampliar a assistência estudantil;

“Celeiro Tech”: integrar universidades, centros de pesquisa e empresas.

Propostas de Sandro Alex (PSD) para educação
Cofinanciamento estadual para creches municipais (Educação Infantil de 0 a 3 anos), destinado à construção, ampliação, requalificação e manutenção de unidades;

Implantação gradual de escolas bilíngues, com componentes curriculares ministrados em português e inglês;

Rede de colégios “Agrotech”, Colégios Agrícolas com laboratórios, conectividade, automação, drones e biotecnologia;

Acompanhamento pedagógico com intervenções personalizadas por professores e pedagogos e reforço escolar no contraturno;

Ampliar o Observatório da Aprendizagem e Inteligência Educacional como uma plataforma que integra dados de avaliações, frequência, abandono e indicadores territoriais de vulnerabilidade;

Uso de IA para apoiar avaliações, planejamento, produção de materiais acessíveis, identificação de dificuldades e construção de trilhas pedagógicas personalizadas;

Ampliar a oferta da Educação de Jovens e Adultos (EJA) e articular a conclusão da educação básica com qualificação profissional e técnica para esse público;

Criar uma Escola de Formação dos Profissionais da Educação com formação presencial, híbrida e digital;

Ampliar intercâmbios, formação em idiomas, cooperação científica e experiências internacionais para professores;

Ampliar o Atendimento Educacional Especializado (AEE) com formação de professores, eliminação progressiva de barreiras de acessibilidade, atendimento itinerante e centros de referência;

Apoio a estudantes vulneráveis e de primeira geração nas universidades estaduais, com “políticas de permanência e apoio à conclusão.”

Propostas de Luiz França (Missão) para a educação
Prioridade pedagógica permanente em Língua Portuguesa e Matemática;

Instituir o “Código Paranaense de Convivência e Proteção Escolar” com padrões de segurança e convivência e tipificação de situações como perturbações, intimidação, bullying, danos ao patrimônio, agressões, ameaças, extorsão, tráfico, presença de armas e situações de risco iminente;

Novas plataformas digitais e aplicativos devem demonstrar qual avanço foi obtido para serem aprovados;

Valorização da escrita manuscrita por exigir atenção, memória, organização das ideias e domínio da língua;

“Avaliação presencial de autoria”, para analisar a qualidade da escrita autoral de estudantes;

Integrar sistemas para formar um “Histórico Educacional Contínuo” com dificuldades, intervenções realizadas, adaptações, recursos de acessibilidade e providências institucionais pendentes;

Criar “Acordos Regionais de Formação Técnica”, em que a abertura de cursos técnicos depende da demanda de empresas e cooperativas da região;

Criar sistema para monitorar níveis de evasão, empregabilidade e renda dos egressos de universidades, a fim de “decidir” onde aplicar recursos.

Propostas de Tayná Miessa (UP) para educação
Fim do programa “Parceiro da Escola” e dos colégios cívico-militares;

Implementar o passe livre estudantil ilimitado para transportes municipais e intermunicipais;

Ampliar cotas raciais, construir moradias e restaurantes universitários gratuitos para baixa renda e caminhar para o fim do vestibular como forma de ingresso nas universidades;

Encerrar contratos com plataformas digitais pagas, investindo em sistemas de servidores gerenciados pelo Estado;

Oferta de turnos noturnos nos colégios estaduais e reabertura das turmas de EJA fechadas;

Fim das terceirizações em serviços essenciais nas escolas e universidades por meio da abertura de novos concursos públicos;

Revogar a Lei Geral das Universidades (LGU) e garantir a autonomia universitária;

Reajuste salarial dos professores e técnicos administrativos de ensino da rede estadual básica e superior;

Tornar obrigatório o currículo de história da África e da diáspora africana em todas as escolas.

Propostas de Alexandre Salomão (Mobiliza) para educação
Ampliar o investimento em creches, priorizando municípios com maior vulnerabilidade social;

Incorporar o modelo de governança municipalizada consolidado pelo Programa de Alfabetização na Idade Certa do Ceará;

Adotar o desempenho no Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes) como meta de longo prazo;

Realizar uma revisão do modelo de parcerias privadas na gestão escolar, com prestação de contas pública antes de decidir manter, ajustar ou substituir;

Conclusão da eliminação de salas de madeira e da instalação de climatização nas salas de aula;

Calendário regular e previsível de concursos e progressão docente;

Criar trilhas formais no contraturno escolar para descoberta de talentos em esporte, artes, ciência e empreendedorismo;

Integrar programas permanentes de cultura (teatro, música, leitura) à grade escolar regular;

Ampliar as aulas de programação e robótica na rede estadual.

Propostas de Samuel de Mattos (PSTU) para educação
Destinar 100% das vagas das universidades estaduais para egressos da rede pública;

Plano de obras para construção de creches e escolas públicas em tempo integral nas periferias;

Ampliar cursos de saúde nas universidades estaduais com foco no atendimento ao interior do estado;

Criar cotas para pessoas trans e aplicar efetivamente as leis que regem o ensino de história afro-brasileira e indígena no estado;

Construir escolas públicas interculturais e bilíngues em aldeias e garantir concursos para professores indígenas;

Implementar educação sexual para igualdade de gênero e prevenção da violência nas escolas.

Propostas de Adriano Teixeira (PCO) para educação
Eleição direta para todos os postos de gestão nas escolas e governo tripartite (alunos, professores e funcionários) nas universidades;

Mais verbas para a educação, destinando recursos públicos exclusivamente para o ensino público;

Fim dos vestibulares e garantia de livre ingresso nas universidades;

Piso salarial de R$ 8,5 mil e jornada de trabalho máxima de 30 horas semanais para professores;

Estatizar o ensino pago e acabar com a proibição do uso de celulares nas escolas.

Fonte: Paraná tribuna