O Paraná avança para a terceira fase do programa Escola do Futuro, iniciativa da Secretaria de Estado da Educação (Seed-PR) em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID): a implantação de colégios bilíngues na rede pública. A primeira unidade fica em Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba, e deve ser inaugurada em setembro.
Outra unidade bilíngue está prevista para Toledo, no Oeste do Estado, com início do modelo em 2027. Ao todo, o programa contempla sete colégios, distribuídos entre Piraquara, Araucária, Fazenda Rio Grande, Tatuquara (Curitiba) e São José dos Pinhais (região do Guatupê).
As unidades atenderão estudantes do 6º ano do Ensino Fundamental até a 3ª série do Ensino Médio, incluindo oferta de cursos técnicos, e devem reunir entre 7 mil e 8 mil alunos quando todas estiverem em funcionamento — média de mil estudantes por escola.
Segundo o secretário de Estado da Educação, Roni Miranda Vieira, o modelo bilíngue não vai selecionar estudantes por desempenho, diferente do que costuma ocorrer em escolas particulares. “A ideia nossa aqui, pelo menos o que nós desenhamos até que está construído e desenhado na proposta pedagógica, é que não tenha seleção de alunos. Porque aí acaba se virando uma escola elitizada”, afirma.
O secretário destaca, porém, que a Seed vai promover um trabalho de orientação com famílias e estudantes antes da matrícula, já que as escolas funcionam em tempo integral — modelo que ainda gera resistência entre alguns pais. “A gente precisa explanar isso e deixar todo mundo muito ciente do que vai acontecer”, diz.
Cada unidade terá um modelo pedagógico adaptado à realidade local. Em Piraquara, por exemplo, o foco será em energias renováveis e sistemas de energia, com obras e terraplenagem já em andamento.
O investimento total na construção das sete unidades é de R$ 179 milhões. Segundo Roni, as escolas terão estrutura considerada de ponta, com pista de atletismo, auditório, laboratórios amplos e salas de aula em modelo arquitetônico diferente do tradicional.
Para obter a certificação internacional, cada colégio precisa oferecer quatro componentes curriculares totalmente em inglês: Matemática, Linguagens, Ciências e Governo. Por isso, a Seed abriu processo seletivo para professores com proficiência no idioma — as inscrições vão até esta sexta-feira (21).
Os selecionados também participarão do programa “Ganhando o Mundo”, com vivência internacional de duas a três semanas voltada ao aperfeiçoamento em metodologia e fluência em inglês.
O secretário lembra que, em paralelo às escolas bilíngues, o Estado ampliou o ensino de inglês do 1º ao 5º ano em redes municipais. “A gente conseguiu começar nesse ano de 2026, em mais de 220 municípios, implantando a língua inglesa, que foi uma grande conquista para a educação do Paraná”, afirma.
Para Roni, a implantação da primeira unidade bilíngue em Piraquara, região de vulnerabilidade social, tem um significado estratégico. “É um passo estratégico para proporcionar aos jovens daquela comunidade melhores perspectivas de ascensão social e inserção no mercado de trabalho”, diz.
Governador chama iniciativa de “revolução na educação”
O governador Carlos Massa Ratinho Junior classificou a chegada do modelo bilíngue como um novo salto do programa Escola do Futuro. “O Paraná vai ter a primeira Escola do Futuro da rede estadual, com educação bilíngue. Vou inaugurar, em Piraquara, nos próximos dias, a primeira unidade, que é maravilhosa, grande e bonita”, afirmou.
Segundo o governador, o modelo amplia o acesso a um tipo de ensino antes restrito a quem podia pagar por escola particular. “A educação bilíngue, com ensino em português e inglês, passa a estar ao alcance de mais famílias, democratizando uma oportunidade que antes estava restrita a quem tinha condições de pagar por uma escola particular, ou seja, assim estamos promovendo uma verdadeira revolução na educação do nosso estado”, disse.
Ratinho Junior também situou o modelo bilíngue dentro de um conjunto mais amplo de formatos oferecidos pela rede estadual. “É mais um modelo que integra a estratégia de democratização da educação no Paraná, que oferece diferentes formas de ensino para atender às necessidades dos estudantes, entre eles o ensino integral, cívico-militar, convencional e bilíngue”, relatou.
Além das duas unidades bilíngues, o programa Escola do Futuro soma outras cinco unidades em construção ou planejamento no Estado, beneficiando ao todo cerca de 12,4 mil estudantes. Três já estão em execução: Jardim Holandês (Piraquara), Pinheirinho (Toledo) e Gralha Azul (Ponta Grossa). A unidade de Jardim dos Pássaros (Araucária) está na fase inicial, enquanto Fazenda Rio Grande, Tatuquara (Curitiba) e Guatupê (São José dos Pinhais) seguem em processo licitatório.
O modelo arquitetônico das escolas prevê ambientes mais abertos e conectados, com laboratórios de robótica, espaços maker, bibliotecas conectadas e áreas de conforto sensorial. As unidades também contam com soluções sustentáveis, como energia solar, captação e reúso de água da chuva e ventilação cruzada.
Atenção, professor
Ainda dá tempo para se inscrever para dar aulas nas escolas bilíngues, as Escolas do Futuro. Veja como no “serviço” abaixo:
Edital: nº 58/2026-GS/Seed
Público: professores e pedagogos do Quadro Próprio do Magistério (QPM) da rede estadual do Paraná.
Unidades: Piraquara (Região Metropolitana de Curitiba) e Toledo (Oeste do Paraná)
Inscrições: até sexta-feira (21 de agosto)
Resultado das inscrições homologadas: 25 de agosto
Período de recursos: 26 a 28 de agosto
Resultado final das inscrições homologadas: 4 de setembro
Agendamento do teste de proficiência: 4 de setembro
Chamamento para entrevista: 18 de setembro
Resultado da classificação provisória: 9 de outubro
Recursos contra a classificação provisória: 13 e 14 de outubro
Classificação final: 26 de outubro
Convocação dos classificados: a partir de 28 de outubro
Fonte: Tribuna Paraná